É só a depressão? De certo que tem a sua cota parte bem significativa, mas a sociedade faz de nós o que bem entende, a seu belo prazer e negócio. A pressão da beleza, do corpo perfeito, da discriminação com base em aparência, peso e medida (literalmente) força-nos a querer ser diferentes, encaixar-mos no que a sociedade quer para ter-mos sucesso. A procura de um parceiro ou parceira. A ideia que os homens só querem mulheres esbeltas e esculturalmente perfeitas, é o que os atrai. E mulheres igualmente, embora não tanto. A busca desse poder de atractabilidade.
E agora, as pessoas com perturbações alimentares são mais "fracas" pelo sua vulnerabilidade à pressão social ou são mais "fortes" por realmente conseguirem não comer, conseguirem fazer exercicio compulsivamente, purgarem a cada refeição, passarem um dia inteiro com meia maçã e litros de água... Esta "força" pode claro, como tudo, ser canalizada negativamente, e nestes casos é. Alguma vez eu dispensava as minhas refeições? Pessoalmente, por mais que tente algum tipo de privação alimentícia como chocolates, sobremesas, bolos, molhos, massas... Não consigo, lol, são demasiado deliciosos, comer é e sempre foi um prazer, experimentar novos sabores, novas teixturas, novas combinações, novas receitas...
As perturbações mentais não devem ser olhadas com estigma, não são produto da nossa imaginação e serem ignoradas não faz com que desapareçam ou que não provoquem estragos ao próprio e todos em seu redor.
A escolha do primeiro video foi pela simplicidade e no fundo pela realidade que é, que quase parece um problema de percepção visual mas isso é apenas uma das consequencias e/ou sintomas. O segundo, não querendo parecer sádica, foi pela crueza e choque que proporciona de uma realidade escondida que só quem lida directamente com ela a conhece.
Este post foi a propósito das medidas contra as perturbações alimentares crescentes, nomeadamente bulimia e anorexia, que se têm passado em Itália e que espero que sejam implantadas com sucesso. Tendo em conta todos os modelos de imagem que desfilam pelas passerelles que a unica mensagem que passam é: "Magreza é Beleza", "Eu fui escolhida para aqui estar em vez de ti porque tenho 38 kilos" e por ai adiante...
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sexta-feira, 28 de março de 2008
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Quem somos nós afinal?
Um dia nascemos, nascemos e somos acolhidos pelos nosso progenitores (há excepções infelizmente) que nos alimentam, cuidam, dão carinho e labutam todo o dia para nos darem uma existencia materialmente rica; alguns melhor que outros conseguem ainda dar-nos as ferramentas invisiveis para nós proprios sermos boas pessoas em sociedade, filhos educados, bem comportados, respeitadores...
Depois crescemos (e perdemos a piada toda :P) e nas tenras idades sofremos das rédeas dos nossos pais (uns mais que outros) em tudo quanto são assuntos e matérias: "não faças isso", "vai arrumar aquilo", "está quieto(a)" e por ai adiante. Para muitos os pais são aquelas figuras chatas que aparentemente não nos fazem falta mas não nos largam; à medida que evoluimos no nosso processo contínuo de aprendizagem algumas coisas começam a parecer ter um valor que nunca tiveram antes. Depois há as proibições impostas nas idades mais rebeliosas que nos revoltam e nos fazem pensar o tipico pensamento "quando tiver 18 anos saio de casa para poder fazer tudo o que quiser" ou "quando tiver 18 anos já não me podem proibir e posso fazer o que quiser". E por muitos anos os nossos pais são sobvalorizados por nós mesmos.
Crescemos mais um pouco e os nossos pais já estão mais "ao nosso lado" do que "por cima de nós". Na maior parte dos casos (espero eu) percebemos tudo por aquilo que nos fizeram passar e como sem eles não seriamos o que somos. E como pensamos "quem nos dera ser crianças de novo" ignorando já tudo aquilo que "sofremos" debaixo das suas regras.
Com tanta evolução cronológica os nossos pais também evoluem connosco e, eventualmente, com a velhisse regridem em alguns aspectos (muitos as vezes) e um dia precisam de nós. Que tratemos deles, que os acolhamos na nossa protecção, na nossa vida já composta, que os alimentemos, cuidemos, que lhes dêm carinho e, no fundo, também trabalhemos para o conseguir, para conseguir dar-lhes aquilo que nos deram a nós quando precisámos. Igualmente precisam que se lhe imponham regras e melhores hábitos para os proteger, "não mexas no fogão que te podes queimar", "não desças as escadas sosinho (a) que podes cair" etc... [Cada caso é um caso e eu estou a elaborar uma das hipóteses.] E os acompanhamos pela velhisse, uma idade que tem tantos que se lhe diga, uma série de transformações físicas e surgimento de incapacidades que os afectam tão profundamente e que o apoio dos que eles um dia criaram é fundamental para terminarem a sua vida, um dia, da melhor maneira.
E depois existem aqueles que nada disto fazem, sejam os motivos eles quais forem nunca serão justificativos de tal desnaturo. Toda esta "lenga lenga" para falar em abandono e negligência para com os idosos. "Ah, os velhos são chatos, estão sempre a falar da mesma coisa e nunca se calam"; "os velhos isto... os velhos aquilo..." Esses velhos já foram novos e cuidaram de nós, deram-nos tudo aquilo que precisávamos para sobreviver um dia. É desumano saber de filhos que abandonam os seus pais à sua sorte quando estes se tornam um "incómodo". E uma breve história de alguém que pode ser, quem sabe, a história de alguém bem perto de vós. (e infelizmente a história de muitos)
Uma senhora, muito velhota, todos os dias vai almoçar ao seu café restaurante ao fundo da rua, tem necessidades, birras, hátidos como qualquer velhote (e muito similarmente como qualquer criança em determinada idade). O almoço que come inclui uma sopa, pão, bebida, prato, sobremesa e café. Desse prato a sopinha e o pão quase sempre os leva com ela para mais tarde para o jantar. O almoço é a sua primeira refeição do dia, depois a meio da tarde um copo de leite também tomado no mesmo café ao fundo da rua e o jantar a sopinha de lá levada. As suas roupas são sempre as mesmas, provavelmente até lavadas a mão todas as noites ou noite sim noite não. Nos seus hábitos muitas coisas podem faltar mas não falta nunca a visita ao seu falecido marido ao cemitério, todos os santos dias, sempre à mesma hora, durante sabe-se la quantos anos. Com a idade e com a solidão medos começam a surgir como não querer sair de casa sosinha ou não arredar pé do café até o seu filho chegar para a levar. Dois filhos teve e criou, e dois filhos a desprezam. Para não me prelongar na história conto só um pequeno episódeo que acho que consegue retratar por completo a miséria de tais filhos.
Na véspera de Natal o café ao fundo da rua fechou mais cedo, ainda serviu almoços mas as 5h fechou e só reabriu dia 26. Nos dia 26 a senhora lá foi de novo almoçar, muito confusa perguntou, "ontem estiveram fechados porquê? Esteve tudo fechado..." a que a senhora do café lhe respondeu "ontem foi Natal minha senhora e anteontem véspera de Natal, os seus filhos não a vieram buscar?" ao que ela respodeu "Natal? Ah foi? Não sabia... Não comi nada desde que fecharam..." E a conversa continuou um pouco mais, a senhora pediu, quase envergonhada, se á tarde lhe preparava uma omolete para ela jantar.
Moral da história: uma mãe viuva com uma reforma pequena que só consegue usar a sua casa para prenoitar e até a sua hegiene deixa muito a desejar que as capacidades já não devem ser muitas; e dois filhos perfeitamente saudáveis (fisicamente) e empregados que não convidam a mãe sequer para a noite de Natal quanto mais o resto do ano. As vezes costuma-se dizer, "nunca nos vemos, só mesmo no Natal", esta nem no natal teve jantar nem companhia. Ma vivemos em alguma sociedade de monstros? Não há o minimo peso na consciência? Pelos vistos não, se houvesse isto não acontecia.
Depois crescemos (e perdemos a piada toda :P) e nas tenras idades sofremos das rédeas dos nossos pais (uns mais que outros) em tudo quanto são assuntos e matérias: "não faças isso", "vai arrumar aquilo", "está quieto(a)" e por ai adiante. Para muitos os pais são aquelas figuras chatas que aparentemente não nos fazem falta mas não nos largam; à medida que evoluimos no nosso processo contínuo de aprendizagem algumas coisas começam a parecer ter um valor que nunca tiveram antes. Depois há as proibições impostas nas idades mais rebeliosas que nos revoltam e nos fazem pensar o tipico pensamento "quando tiver 18 anos saio de casa para poder fazer tudo o que quiser" ou "quando tiver 18 anos já não me podem proibir e posso fazer o que quiser". E por muitos anos os nossos pais são sobvalorizados por nós mesmos.
Crescemos mais um pouco e os nossos pais já estão mais "ao nosso lado" do que "por cima de nós". Na maior parte dos casos (espero eu) percebemos tudo por aquilo que nos fizeram passar e como sem eles não seriamos o que somos. E como pensamos "quem nos dera ser crianças de novo" ignorando já tudo aquilo que "sofremos" debaixo das suas regras.
Com tanta evolução cronológica os nossos pais também evoluem connosco e, eventualmente, com a velhisse regridem em alguns aspectos (muitos as vezes) e um dia precisam de nós. Que tratemos deles, que os acolhamos na nossa protecção, na nossa vida já composta, que os alimentemos, cuidemos, que lhes dêm carinho e, no fundo, também trabalhemos para o conseguir, para conseguir dar-lhes aquilo que nos deram a nós quando precisámos. Igualmente precisam que se lhe imponham regras e melhores hábitos para os proteger, "não mexas no fogão que te podes queimar", "não desças as escadas sosinho (a) que podes cair" etc... [Cada caso é um caso e eu estou a elaborar uma das hipóteses.] E os acompanhamos pela velhisse, uma idade que tem tantos que se lhe diga, uma série de transformações físicas e surgimento de incapacidades que os afectam tão profundamente e que o apoio dos que eles um dia criaram é fundamental para terminarem a sua vida, um dia, da melhor maneira.
E depois existem aqueles que nada disto fazem, sejam os motivos eles quais forem nunca serão justificativos de tal desnaturo. Toda esta "lenga lenga" para falar em abandono e negligência para com os idosos. "Ah, os velhos são chatos, estão sempre a falar da mesma coisa e nunca se calam"; "os velhos isto... os velhos aquilo..." Esses velhos já foram novos e cuidaram de nós, deram-nos tudo aquilo que precisávamos para sobreviver um dia. É desumano saber de filhos que abandonam os seus pais à sua sorte quando estes se tornam um "incómodo". E uma breve história de alguém que pode ser, quem sabe, a história de alguém bem perto de vós. (e infelizmente a história de muitos)
Uma senhora, muito velhota, todos os dias vai almoçar ao seu café restaurante ao fundo da rua, tem necessidades, birras, hátidos como qualquer velhote (e muito similarmente como qualquer criança em determinada idade). O almoço que come inclui uma sopa, pão, bebida, prato, sobremesa e café. Desse prato a sopinha e o pão quase sempre os leva com ela para mais tarde para o jantar. O almoço é a sua primeira refeição do dia, depois a meio da tarde um copo de leite também tomado no mesmo café ao fundo da rua e o jantar a sopinha de lá levada. As suas roupas são sempre as mesmas, provavelmente até lavadas a mão todas as noites ou noite sim noite não. Nos seus hábitos muitas coisas podem faltar mas não falta nunca a visita ao seu falecido marido ao cemitério, todos os santos dias, sempre à mesma hora, durante sabe-se la quantos anos. Com a idade e com a solidão medos começam a surgir como não querer sair de casa sosinha ou não arredar pé do café até o seu filho chegar para a levar. Dois filhos teve e criou, e dois filhos a desprezam. Para não me prelongar na história conto só um pequeno episódeo que acho que consegue retratar por completo a miséria de tais filhos.
Na véspera de Natal o café ao fundo da rua fechou mais cedo, ainda serviu almoços mas as 5h fechou e só reabriu dia 26. Nos dia 26 a senhora lá foi de novo almoçar, muito confusa perguntou, "ontem estiveram fechados porquê? Esteve tudo fechado..." a que a senhora do café lhe respondeu "ontem foi Natal minha senhora e anteontem véspera de Natal, os seus filhos não a vieram buscar?" ao que ela respodeu "Natal? Ah foi? Não sabia... Não comi nada desde que fecharam..." E a conversa continuou um pouco mais, a senhora pediu, quase envergonhada, se á tarde lhe preparava uma omolete para ela jantar.
Moral da história: uma mãe viuva com uma reforma pequena que só consegue usar a sua casa para prenoitar e até a sua hegiene deixa muito a desejar que as capacidades já não devem ser muitas; e dois filhos perfeitamente saudáveis (fisicamente) e empregados que não convidam a mãe sequer para a noite de Natal quanto mais o resto do ano. As vezes costuma-se dizer, "nunca nos vemos, só mesmo no Natal", esta nem no natal teve jantar nem companhia. Ma vivemos em alguma sociedade de monstros? Não há o minimo peso na consciência? Pelos vistos não, se houvesse isto não acontecia.
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